quarta-feira, 14 de novembro de 2012

SOS SOL no Pepsi on Stage

Temos a alegria de anunciar mais uma campanha de alimentos que vem somar às várias toneladas já arrecadadas nessa parceria da Casa do Sol Centro Espírita com a produtora New Fever.
Dessa vez o evento será o "Saidera Atlântida" (http://www.fuzaca.com.br/porto-alegre/23-11-2012/31055/saideira-atlantida-2012----2311----newfever) e vai acontecer no dia 23 de Novembro, sexta-feira, a partir das 19h, no Pepsi on Stage.
Nesse horário estaremos montando nossa tenda e nos preparando para passar uma noite de trabalho e confraternização, recolhendo os alimentos doados para a nossa campanha que beneficia diversas entidades sérias de Porto Alegre.
Quem já compareceu sabe que é um momento de muito trabalho, mas também de muita emoção, alegria e solidariedade, e que os mais ajudados somos nós mesmos, por termos a oportunidade de fazermos uma ação em prol dos nossos irmãos que estão em condição de miséria material.
Quem quiser comparecer, é só aparecer por lá, nos procurar em nossa tenda e agregar a essa corrente. Leve também um alimento, comida ou bebida para compartilhar entre os trabalhadores para que possamos ter energia até o fim do evento.
Mais informações, ligue para: 51-99914435 (Khalild)
Também estamos divulgando o evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/380149832062284/
Curta nossa página no Facebook: http://www.facebook.com/casadosolcentroespirita

Força e Fé. Fé é Força! (Almofarej)

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Palestra: Carma e Parentela



Carma e parentela
 Palestra realizada por Flávia Cavalli na Casa do Sol Centro Espírita em 22.10.2012 baseada no livro "Renovando Atitudes" de Hammed.

        “A união e a afeição que existem entre os parentes são indício da simpatia anterior que os aproximou: também se diz, falando de uma pessoa cujo caráter; gostos e inclinações não têm nenhuma semelhança com os de seus parentes, que ela não é da família...”
(Capítulo 4, item 19.)

CARMA
 Primeiramente, é muito importante entender o que seja "carma". Carma nem sempre é dor e sim ação. A realização do ser eterno, através de milênios é o que chamamos "carma".
Carma é um termo sânscrito para designar a “ação”, “lei da causa e efeito” ou “lei da causa ética”. Não tem a função de castigar ou recompensar. Sugere que a reencarnação tem a finalidade de equilibrar as boas e más ações cometidas em vidas regressas e, dessa forma, fortalecer o espírito e elevar a alma. Ele não pode ser visto como uma apologia ao sofrimento, pois é basicamente ação e reação. O ocidental associou o carma com insatisfação pessoal, culpa e a punição cristã do inferno.

O médium e orador espírita Divaldo Pereira Franco, num seminário sobre o perdão e o auto-perdão, disse: "Nós não somos culpados, nem pecadores. Somos responsáveis. Quando somos responsáveis, assumimos as conseqüências dos nossos atos. E como é inevitável, nós não somos punidos, somos convidados à responsabilidade. E para responsabilidade o processo penalógico não é punitivo, é reparador.”

Ao entender o sentido do carma, muitos começam ter uma vida mais serena, evitando atritos e desentendimentos com as pessoas. Porém, uma pessoa que fica remoendo os problemas, não faz o papel de apaziguar, sempre discute com os outros e não consegue perdoar o erro dos mais próximos, se distancia do bom carma.

Em síntese, o carma é negativo e positivo em relação ao nosso destino, já que é uma lei natural. O resultado final reflete na correspondência exata entre a causa e o efeito dos seus atos. Portanto, somos responsáveis por um bom ou mau carma, um bom ou mau destino.

E PORQUE NÃO NOS LEMBRAMOS DE VIDAS PASSADAS
Os céticos rebatem a idéia do carma, pois uma vez que não nos lembramos de nossa vida pregressa, entendem que qualquer aprendizado seria nulo.

Mas qual o porquê do esquecimento? A natureza é sábia e sempre há razões para tudo. Pense como seria se nos recordássemos de todas as ocorrências dolorosas ou terríveis de que fomos protagonistas; se nos recordássemos de todo o mal que já fizemos e recebemos; dos ódios e dos amores. Não acha que nosso psiquismo poderia implodir com toda essa carga? Se nos lembrássemos de nossas vidas passadas, como poderíamos receber por filho alguém a quem prejudicamos ou que nos fez sofrer? Com o esquecimento, porém, os ódios se acabam nos braços de pai e mãe.

Mas com a bênção do esquecimento, todo o material ligado a uma encarnação fica arquivado no inconsciente, permitindo que uma nova existência seja uma oportunidade inteiramente nova; um recomeço, onde o espírito não sofra as pressões das lembranças das vidas anteriores, a fim de que possa reconstruir-se mais livremente.

Só não pensem que a morte transforma a criatura. Quem é mau aqui no nosso espaço físico, continua a ser mau depois da morte; quem é avarento, orgulhoso ou imoral, continua do mesmo jeito no mundo espiritual. Ninguém vira santo porque morreu.

Todas suas aptidões, no entanto, seus valores morais e outras conquistas individuais permanecem latentes, dando continuidade a si mesmo e, conforme a necessidade, ele pode ter acesso a algumas lembranças, durante o sono, que favorecerão sua conduta, ajudando-o a aceitar suas provações.

A REENCARNAÇÃO
 A reencarnação é a única explicação plausível para as inúmeras diferenças existentes entre as pessoas, desde que se acredite na existência de um Deus justo, responsável pelas leis que regem a vida.

Ela reflete a sabedoria e equilíbrio dos mecanismos da evolução. Os sofrimentos, as dificuldades e as lutas da vida são os grandes professores que nos ensinam a viver e a conviver.
A convivência terrena não passa de um grande depurador e disciplinador. As encarnações têm o mesmo efeito de uma terapia, só que divina. 
Quem foi mau filho poderá renascer como criança abandonada, para aprender a dar valor à família;

Quem foi orgulhoso poderá vir em condições de pobreza ou de subalternidade, para aprender a ser mais humilde;

Quem foi preguiçoso talvez volte à Terra sem saúde, desejando trabalhar, mas sem condições físicas para tanto;

Quem usou mal a língua, “levantando falso”, estimulando à imoralidade, a violência, a maldade ou a descrença em Deus e na vida, poderá renascer com problemas de fala ou mesmo completamente mudo por causa do tipo de energia que gerou e acumulou nos órgãos da fala, e assim por diante.

As famílias são montadas na Terra, mediante um planejamento reencarnatório e esse planejamento obedece à justiça divina. Essa justiça irá atuar de acordo com a evolução de cada um. O objetivo, na formação de um grupo familiar, é o reajuste, visando o crescimento interior de todos.
Por isso os espíritos muitas vezes reencarnam nos ambientes e/ou famílias onde viveram. É a oportunidade que a Lei Maior lhes dá para refazerem seus caminhos, corrigirem faltas e consertarem o mal que praticaram no passado.

 CARMA E PARENTELA
- É terrível, mas compreensível, um estranho tentar violentar uma menina. Mas quando esse ato abominável parte de um pai que tem o papel institucional de cuidar da filha, isso ultrapassa qualquer designação que as palavras possam nos fornecer.
- E quando um irmão mais velho se torna o algoz, a fonte de sofrimento do outro irmão?
- E quando a mãe deixa de ser a referência, o porto seguro dos filhos para justamente colocá-los em risco moral e físico?
- Ou quando um filho que vive acusando seu pai por todos os males que o afligem, afligiram e o afligirão, mas não deixa de ser ele mesmo o algoz maior de seus filhos?

ORIGEM PRIMITIVA DAS TRANSGRESSÕES BÁRBARAS
De onde vêm essas transgressões bárbaras que tanto geram traumas, sofrimento e fraturas psíquicas e espirituais?
São várias as origens, sendo a principal as emoções primitivas, de quando as regras e “leis” morais ainda não tinham sido estabelecidas. Pode parece impossível, mas ainda temos em nós registros e programas dos primitivos que fomos, e de comportamentos que usamos para viver e sobreviver quando éramos esses seres pré-culturais.
Infelizmente nosso cérebro funciona como as camadas de um sítio arqueológico, quanto mais fundo se cava, mais antigos são os registros das culturas que ali estiveram.
A grande diferença é que nos sítios arqueológicos os rastros dessas culturas estão inativos, mas no cérebro/mente estão ou podem ser ativados.
Desta forma, pessoas que não conseguem desenvolver seu espírito e que a despeito da evolução da sociedade como um todo, ainda carregam esta “programação bárbara” são as mais propensas a encenar as maiores perversões familiares. Por isso temos “maníacos do parque”, pais e padrastos estupradores, mães que molestam e ferem os filhos e vai por aí.

 BOA NOTICIA
Mas a boa noticia é que não é só de barra pesada que vivem os maus carmas de família, ao contrário essas são as exceções.
A maioria dos conflitos familiares é composta de sentimentos mais brandos, porém mais mesquinhos. São rancores, invejas, mágoas por algo feito ou não feito, desentendimentos incompreensíveis, ofensas menores, mas que ganham uma dimensão superestimada, ou grandes ofensas cujo fato gerador foi fútil, desproporcional.

PORQUE A FAMILIA?
Por trás disso tudo estão pautas não resolvidas na vida passada, assuntos que ficaram sem um fecho satisfatório, ou porque a morte veio impedir o acerto de contas ou por falta de meios para resolver as pendências.
O que na linguagem policial se chama de “desinteligência” quando acontece em família acaba sendo preservado pelo circuito interno dos vínculos de sangue. Se tenho uma desinteligência no trânsito de uma grande cidade, as chances de eu “trombar” novamente com o sujeito são remotas, mas se isso acontece na família, fica aprisionado lá no circuito e será preservada pelos vínculos “familiares.”
A família é para muitos o porto seguro, o último refúgio, a derradeira esperança na luta contra a indigência e a solidão. A família, porém, é a corrente que mantém atados os espíritos que se ferem uns aos outros e que por absoluta ignorância perpetuam esses scripts nefastos vida após vida.
A família é um universo fechado onde as emoções e sentimentos reverberam com muito maior intensidade, por isso quando Jesus reunido com seus discípulos recebeu a notícia de que sua mãe e irmãos estavam do lado de fora aguardando para vê-lo, perguntou: “Minha mãe? Quem é minha mãe? Meus irmãos? Vocês são minha mãe e meus irmãos!” sua intenção não foi a da negação destes vínculos, mas de demonstrar que somos filhos de todas as mães e irmãos de todos os homens.
Logo, se todo mundo é meu irmão, então posso esperar fraternidade de todos, posso esperar a cumplicidade própria de irmãos, mas também posso esperar traições, e “crocodilagens” de qualquer um como é típico de alguns irmãos, lembrando como exemplo o ocorrido com Caim e Abel.
Jesus sabia que nada há de mais preservador e propagador do carma que as relações e pendências familiares.
Grande parte da carga de sofrimento que carregamos tem etiqueta com sobrenome da família.
As relações familiares são de longe a maior fonte primária de ódios, mágoas e rancores diversos, geradoras de vinganças, acerto de contas raivosas e é claro encadeadoras de carma, mas também, um dos maiores fatores de desenvolvimento sociais da humanidade, e sem ela, talvez não tivéssemos chegado até aqui.
O conhecimento da reencarnação nos orienta quanto às conseqüências dos nossos atos e aí relembramos as palavras do Cristo: "Cada um colhe aquilo que semeia". A mãe amorosa de hoje nem sempre o foi ontem. Não existindo acaso na Lei, os reencontros obedecem a critérios sábios.

E QUAL A SOLUÇÃO?
Para ter um bom resultado nesta empreitada da vida, o arrependimento e o perdão devem ser sinceros. Não se auto-responsabilizar por feitos e atitudes no presente, inocentando-se e lançando desculpas pelos desatinos do passado, é assumir a condição de injustiçado, ou mesmo, de vítima. É como afirmar que a Divina Providência cometeu para com a tua existência uma falta, fazendo-te renascer em ambiente não correspondente ao teu desenvolvimento espiritual, o que logicamente é um enorme absurdo.
Quem falhou deve pedir desculpas e, quem foi prejudicado, aceitar verdadeiramente o perdão. “Perdoai aos vossos inimigos”, ensinou Jesus. Ressentimento, condenação, mágoa, raiva ou o desejo de ver alguém punido, são coisas que apodrecem a alma, portanto, perdoe. Isso melhora as formas-pensamento de ambos, contribui para uma evolução, colocando fim a uma ação viciosa.
E uma das chaves ocultas para dissolver essa corrente é tirar o peso dos papéis, não julgar nossos familiares pelos papéis que a sociedade determinou para eles. Isso não resolve o problema de um filho que tortura os pais idosos, nem do irmão mau caráter que rouba o resto da família.
Mas ao despi-los dos rótulos familiares e das expectativas dos seus papéis, ficam mais verdadeiros, apenas homens, mulheres agentes ignorantes da destruição. Assim fica mais fácil lidar com eles, dissolvendo-os no imenso oceano das fraquezas humanas.

 FINAL – MENSAGEM DE CHICO
         Não são situações de vidas passadas que te complicam os relacionamentos afetivos, e sim a continuidade dos velhos modos de pensar, das crenças incoerentes e da permanência em doentios pontos de vista de onipotência.

 Tem uma mensagem de Chico Xavier que diz: “Nasceste no lar que precisavas, Vestiste o corpo físico que merecias, Moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento. Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades, nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.”

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Palestra: O amor que eu tenho é o que dou






Palestra realizada por Rita Pereira Barboza, na Casa do Sol Centro Espírita, inspirada no capítulo homônimo do livro “Renovando Atitudes” de Hammed.

“Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos sem amor eu nada seria”. Carta de Paulo aos Coríntios, v.13,1 Bíblia

O amor é o sentimento mais nobre que o homem pode ter. Sabemos e sentimos que o caminho principal para sermos pessoas melhores é o do amor e da caridade, que é uma expressão do amor. Queremos ser pessoas caridosas, que amam incondicional e indistintamente, sem esperar nada em troca, mas sabemos também o quanto este caminho é longo e requer muito aprendizado.
Hammed irá recortar do Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.XI – Amar ao próximo como a si mesmo, item 8, a seguinte orientação: “No seu início, o homem não tem senão instintos; mais instruído e purificado, tem sentimentos; e o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas este sol interior...”
Nessa passagem fica clara a condição evolutiva do amor, sendo um sentimento a ser desenvolvido por cada ser ao longo de suas experiências encarnatórias. Então, precisamos aprender a amar, exercitar o amor, descobrir em nós a capacidade de amar como um processo que requer trabalho sobre nós mesmos e não algo que está pronto em nossos corações. Quanto mais experimentarmos e tentarmos amar, mais ampliaremos e aperfeiçoaremos essa capacidade.
Também é errando que se aprende. Diversas vezes expressamos em nossos comportamentos atitudes que confundimos com amor, mas que nada mais são do que vaidade, egoísmo, orgulho. Hammed irá elencar algumas dessas expressões comportamentais:
- quando contamos vantagens e nos enchemos de louros pensando que esta é uma condição para receber o amor de alguém
- quando abrimos mão de nossos gostos e desejos em favor do outro, perdendo o sentido das nossas próprias vidas
- quando delegamos o controle de nossas vidas a outra pessoa, pensando receber amor em troca de passividade
- quando utilizamos na mentira para encobrir conflitos e defeitos
- quando somos submissos e deixamos de dizer “não” querendo receber com isso carinho e estima.
Esses são alguns exemplos de atitudes que tomamos pensando que estamos “amando”, mas que apenas refletem as nossas dificuldades e imperfeições na matéria “amor”. Afinal, como nos diz Hammed: “Somente se dá aquilo que se possui”. Ele completa: “Como, pois, exigir amor de alguém que ainda não sabe amar?”. Então, para podermos dar amor aos outros, precisamos aprender a amar, precisamos “possuir” a capacidade de amar. Assim, o amor que eu tenho, será o amor que eu dou.
Vamos prestar atenção a esse mandamento divino que diz: “Amar ao próximo como a si mesmo”. Se formos obedecer realmente a esse mandamento, e amar aos outros da mesma forma com que nos amamos, o que será que estaremos oferecendo? Nos amamos realmente? Ou tratamo-nos como seres inferiores, desmerecedores de qualquer afeto, incapazes de brilhar com nossa luz própria, dependendo sempre da estima alheia para nos fortalecer? Se continuarmos a tratar a nós mesmos com desamor sempre desenvolveremos com nosso próximo uma relação de comparação (como nos orientou Luís em sua palestra), de inferioridade ou superioridade, ou de superficialidade, esperando do outro o que nós devemos dar a nós mesmos em primeiro lugar: respeito, compreensão, afeto, amor.
Considerando o amor como um processo evolutivo podemos entender que ao tempo de Jesus, falar de amor era simplesmente falar de domínio dos instintos. Jesus preocupava-se que o povo diminuísse a hostilidade, a crueldade e a violência inatas à sua condição cultural e evolutiva. Amar seria simplesmente não odiar, não maltratar, não vingar-se, etc. Ao tempo de Kardec, do Evangelho segundo o Espiritismo (séc.XIX) foi possível falar sobre a diminuição do egoísmo em prol da compaixão e da caridade – o sacrifício necessário não envolveria mais o sangue como no tempo dos mártires, mas sim o espírito, o sentimento. Assim, amar passa a ser perdoar, querer e fazer o bem aos inimigos, compreender, ajudar aos necessitados, etc. Estamos vivendo uma época de desenvolvimento da nossa própria consciência, de percebermos que as mudanças precisam partir de nós mesmos, de nossas crenças e atitudes; precisamos curar nossas almas. Os estudos contemporâneos têm demonstrado que a maior parte das doenças tem origem em males provocados por nós mesmos sobre o nosso corpo e espírito através de comportamentos e pensamentos. Portanto, penso que é chegado o momento de debruçarmo-nos sobre nós mesmos e refinarmos a nossa alma, podendo, ao encontro com o próximo a que se refere Jesus, termos uma melhor qualidade de amor a oferecer, uma verdadeira caridade e compaixão.
O mandamento diz: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Mas o que é amar a Deus? Para mim, amar a Deus significa amar a Vida, estar em uma relação harmônica, de gratidão e integridade com o Universo. É acordar pela manhã e sentir-se parte de uma grande obra AMOR. Sentir-se pleno do amor de Deus. Sendo assim, poderemos amar ao nosso próximo como a nós mesmos, porque, afinal, somos todos fios de uma grande teia divina.
Nesse mesmo capítulo do Evangelho, os espíritos de luz nos orientam repetidamente: “Amai bastante, afim de serdes amados”. Entendendo a dimensão e a importância do amor, então, fui em busca de possibilidades de exercitarmos esse amor em nossas vidas, afim de aprimorarmos esse sentimento em nosso íntimo.
Temos estudado em nosso curso das sextas-feiras, chamado “Consciência espírita”, os benefícios da meditação e do relaxamento na busca do autoconhecimento e transformação interior. Sendo assim, lembrei-me de uma meditação ativa que conheci alguns dias atrás, chamada “Meditação do coração”. Foi-me dito tratar-se de uma meditação que exercita a prática de dar limites com amor. Gostei muito. Como é uma meditação que requer uma atividade corporal, bem como espaço físico, tempo e uma orientação precisa, resolvi trazer aqui apenas os seus princípios, que busquei estudar para nos auxiliar no entendimento do exercício do amor.
Ao estudar, descobri que esta é uma meditação “sufi”. E o que é um sufi? O sufismo é uma corrente mística muito antiga, sem data e origem precisa. Uma das versões sobre o início do Sufismo remonta aos indivíduos que surgiram depois da morte do profeta Maomé. Estes indivíduos se retiraram para o deserto ou áreas de menor evidência quando se iniciaram as disputas pelas sucessões dos Califas. O sufismo é erroneamente identificado com a prática islâmica, mas encontra eco em todas as religiões por ter como objetivo final a comunhão do homem com Deus. De acordo com o livro "Os Sufis", de Idries Shah “os sufis sentem-se à vontade em todas as religiões: exatamente como os ‘pedreiros-livres e aceitos’, abrem diante de si, em sua loja, qualquer livro sagrado - seja a Bíblia, seja o Corão, seja a Torá - aceito pelo Estado temporal”.
No site Universo Místico encontrei a definição de que “em termos gerais, o Sufi é todo aquele indivíduo que acredita que é possível ter uma experiência direta com Deus e que está preparado para sair de sua vida rotineira para se colocar debaixo das condições e meios que lhe permitam chegar a este objetivo. Neste contexto, o Sufi é considerado como o protótipo de todo místico que busca a União” (Uma boa definição para um espírita também). Interessante observar que o Sufi não é ensinado, senão orientado a descobrir os caminhos por sua própria experiência, o que também foi um método pedagógico utilizado e reforçado por Allan Kardec à época da codificação do espiritismo.
E qual a principal orientação Sufi? O Amor. Com o coração imerso no Amor, o sufi abandona o seu apego ao mundo para unir-se a Deus. Isso acontece sem que, necessariamente, deva-se abandonar o mundo, ou afastar-se da sociedade. Afinal, não haveria sentido em ensinar a Unidade rejeitando uma parte da expressão do Absoluto. Como bem resume um ditado: “O sufi é aquele que está no mundo, mas não pertence a ele.”
A meditação sufi do coração foi resgatada para o ocidente pelo mestre indiano Osho juntamente com Krishnamurti, e é feita com um estímulo musical, através de um CD que possui 6 faixas, compreendendo cada um dos 6 estágios da meditação que tem a duração de 47 minutos. Além dessa meditação específica, ao estudar sobre os Sufi, encontrei algumas orientações sobre como meditar usando o Amor que podem ser feitas independentemente, desde que o corpo esteja relaxado e a mente concentrada. Então gostaria de propor uma orientação específica nesse momento para experimentarmos o “meditar utilizando o amor”.
Peço a todos que fechem os olhos enquanto eu vou ler calmamente a orientação para essa breve meditação. O primeiro estágio nesta meditação é evocar o sentimento do amor, que ativa o chakra do coração. Isso pode ser feito de várias maneiras, a mais simples sendo pensar em alguém que se ama. Pode ser Deus, o grande Amor. Mas geralmente no começo Deus é mais uma idéia do que uma realidade viva dentro do coração, e é mais fácil pensar em alguém que se ama, um(a) namorado(a), um(a) amigo(a). Vamos então evocar esse sentimento em nosso coração.
O amor tem muitas qualidades diferentes. Para alguns o sentimento do amor é um calor, ou uma doçura, uma suavidade ou maciez, enquanto para outros tem o sentimento da paz, tranquilidade ou do silêncio. O amor também pode vir como uma dor, uma mágoa no coração, uma sensação de perda. Seja como vier, nós mergulhamos nesse sentimento; nos colocamos por inteiro no amor dentro do coração.
Quando nós invocamos este sentimento de amor, os pensamentos vão vir, entrar em nossa mente — o que fizemos ontem, o que vamos fazer amanhã. As memórias flutuam, imagens aparecem perante os olhos da mente. Temos que imaginar que estamos pegando cada pensamento, cada imagem e sentimento, e afogamo-lo, fundindo-o no sentimento de amor.
Cada sentimento, especialmente o sentimento de amor, é muito mais dinâmico que o processo de pensar, por isso se fizemos a prática bem, com a concentração impecável, todos os pensamentos desaparecem. Não sobra nada. A mente fica vazia.”
Então vamos fazer, cada um ao seu tempo, esse exercício – de entregar cada pensamento e imagem que vier à mente para esse fluido de amor, mergulhá-los no sentimento de amor.
Enquanto ainda estão imersos nesse exercício, gostaria de encerrar a palestra de hoje – podem seguir com os olhos fechados – lendo uma poesia Sufi que encontrei durante esse estudo que tem sintonia com o que viemos buscando aqui no Centro Espírita Casa do Sol.

Eu desejo ir para longe,
Centenas de milhas da mente.
Desejo me libertar do bom e do mal.
Quanta beleza por trás dessa cortina!
*
Existe uma alma dentro de sua alma.
Busque por ela.
Existe uma jóia na montanha que é seu corpo.
Olhe para a mina que contém essa jóia.
Ó sufi andarilho
Busque dentro de você e não fora.

domingo, 9 de setembro de 2012

Palestra: Contigo mesmo



Palestra realizada no dia 20 de Agosto de 2012, no Centro Espírita CASA DO SOL, 
pelo integrante Luís Dias, baseada na Obra "Renovando Atitudes", de Hammed.

“...O dever começa precisamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranqüilidade do vosso próximo; termina no limite que não gostaríeis de ver ultrapassado em relação a vós mesmos...”
(Cap.XVII, item 7, Evangelho Segundo o Espiritismo)


        Como decifrar o dever? De que maneira observar o dever íntimo impresso na consciência, diante de tantos deveres sociais, profissionais e afetivos que muitas vezes nos impõe caminhos divergentes?
        Efetivamente, nasceste e cresceste apenas para ser único no mundo. Em lugar algum existe alguém igual a tua maneira de ser; portanto, não podes perder de vista essa verdade, para encontrar o dever que te compete diante da vida.
        Teu primordial compromisso é contigo mesmo, e a tua tarefa mais importante na Terra, para a qual és o único preparado, é desenvolver tua individualidade no transcorrer de tua longa jornada evolutiva.
        A preocupação com os deveres alheios provoca teu distanciamento das próprias responsabilidades, pois não concretizas teus ideais nem deixas que os outros cumpram com suas funções. Não nos referimos aqui à ajuda real, que é sempre importante, mas à intromissão nas competências do próximo, impedindo-o de adquirir autonomia e vida própria.
        Assumir deveres dos outros é sabotar os relacionamentos que poderiam ser prósperos e duradouros. Por não compreenderes bem teu interior, é que te comparas aos outros, esquecendo-te de que nenhum de nós está predestinado a receber, ao mesmo tempo, os mesmos ensinamentos e a fazer as mesmas coisas, pois existem inúmeras formas de viver e de evoluir. Lembra-te de que deves importar-te somente com a tua maneira de ser.
        Não podemos nos esquecer de que aquele que se compara com os outros acaba se sentindo elevado ou rebaixado. Nunca se dá o devido valor e nunca se conhece verdadeiramente.
        Teus empenhos íntimos deverão ser voltados apenas para tua pessoa, e nunca deverás tentar acomodar pontos de vista diversos, porque, além de te perderes, não ajustarás os limites onde começa a ameaça à tua felicidade, ou à felicidade do teu próximo.
        Muitos acreditam que seus deveres são corrigir e reprimir as atitudes alheias. Vivem em constantes flutuações existenciais por não saberem esperar o fluxo da vida agir naturalmente. Asseveram sempre que suas obrigações são em “nome da salvação” e, dessa forma, controlam as coisas ou as forçam acontecer, quando e como querem.
        Dizem: “Fazemos isso porque só estamos tentando ajudar”. Forçam eventos, escrevem roteiros, fazem o que for necessário para garantir que os atores e as cenas tenham desempenho e o desenlace que determinaram e acreditaram, insistentemente, que seu dever é salvar almas, não percebendo que só podem salvar a si próprios.
        Nosso dever é redescobrir o que é verdadeiro para nós e não esconder nossos sentimentos de qualquer pessoa ou de nós mesmos, mas sim ter liberdade e segurança em nossas relações pessoais, para decidirmos seguir na direção que escolhemos. Não “devemos” ser o que nossos pais ou a sociedade querem nos impor ou definir como melhor. Precisamos compreender que nossos objetivos e finalidades de vida têm valor unicamente para nós; os dos outros, particularmente para eles.
        Obrigação pode ser conceituada como sendo o que deveríamos fazer para agradar as pessoas, ou para nos enquadrar no que elas esperam de nós; já o dever é um processo de auscultar a nós mesmos, descortinando nossa estrada interior, para, logo após, materializá-la num processo lento e constante.
        Ao decifrarmos nosso real dever, uma sensação de auto-realização toma conta de nossa atmosfera espiritual, e passamos a apreciar os verdadeiros e fundamentais valores da vida, associados a um prazer inexplicável.
        Lembremo-nos da afirmação do espírito Lázaro em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”: “O dever é a obrigação moral, diante de si mesmo primeiro, e dos outros em seguida”.

Francisco do Espírito Santo Neto
Pelo Espírito HAMMED

EU COMIGO MESMO
 Amar o que eu sou.
Todo indivisível que constitui o ser, e o acontecer do meu corpo no espaço e no tempo.
Amar as coisas que eu estou fazendo e o modo como eu as faço.
Amar as minhas limitações, como amo as minhas possibilidades, e nos meus acertos e erros, amar o meu projeto, que vai se transformando em obra no trabalho da construção de mim mesmo.
Amar-me como eu estou aqui e agora.
Vivendo a vida simplesmente, naturalmente com o ar que eu respiro, o chão que eu piso, as estrelas que eu sonho.
 Às vezes gostar de mim é um desafio uma prova de fogo que releva se eu realmente me amo ou apenas finjo amar-me.
Gostar de mim na perda quando a vida me fechar uma porta sem nenhum aviso ou    explicação.
Gostar de  mim quando me comparo com os outros, quando me avalio pelos padrões estabelecidos de sucesso, beleza, inteligência, poder, deixando de amar o que sou em nome daquilo que me falta ou daquilo que me sobra em relação ao meu semelhante.
Gostar de mim quando erro, quando fracasso,quando não dou conta, quando não faço bem feito e ainda encontro quem me critique ou zombe de  mim por eu ter sido apenas o que sou: limitado, vulnerável, imperfeito, humano.
Gostar de mim no fundo do poço, cabeça a mil, coração a zero, e ainda assim ser capaz de ouvir e de respeitar as referências do meu próprio corpo como um amigo fiel, atento e carinhoso.
Estar comigo e me fazer companhia quando mais ninguém parece estar disposto a me escolher e me aceitar.
Estar do meu  lado, ainda que tudo e todos permaneçam contra mim.
Minha vida me pertence de fato e de direito e posso me dispor dela da maneira que eu bem entender.
Se a minha escolha não for semelhante à sua não posso me entristecer nem devo me sentir infeliz por não receber o seu aplauso: Eu sou eu e você é você.
 Amar-me é descobrir que eu sou eu e ou outro é o outro.
Não é preciso que eu me justifique com você a todo o momento buscando a sua aprovação para o que eu faço e para o modo como eu estou fazendo: Amar é reconhecer e aceitar as nossas diferenças, e me amar é dar-me o direito de ser diferente, ainda que às vezes isso represente ser rejeitado por você.
Amar é dar a mim o que é meu, para dar a você o que é seu.
Amar-me é responder presente à chamada do presente.
Estar presente é estar inteiro, e estar inteiro, é estar consciente das partes, nem sempre lógicas e coerentes que constituem o meu ser aqui e agora.
Estar presente é respirar.
Perder o fôlego é fatal;  Morro para a vida agora em nome de alguma coisa que eu penso estar me faltando, que eu penso que me faltará.
Presente é o presente que a vida me dá a todo momento. Devo recusar?
Meu passado é uma gaiola de ferro.
Meu futuro é uma gaiola de vento.
Uma me prende por ser tão certa e definitiva, outra, por ser tão vaga e absurda.
Meu trilema: querer, poder e dever.
 Ás vezes quero, mas não posso
Às vezes posso, mas não devo
Às vezes devo, mas não quero.
 Gostar de mim, é fazer aquilo que eu posso, para alcançar aquilo que eu quero.
 Gostar de mim, é não usar aquilo que eu devo como desculpa, para coisas que eu realmente não posso.
Só no presente eu posso voar.
A vida é a síntese de todos os opostos que continuam a vida: nascimento e  morte, alegria e tristeza, sucesso e fracasso, acerto e erro, alto e baixo, bom e mau, prazer e dor
Experimento o verdadeiro auto-amor, quando descubro, sob o véu dos meus conflitos a maravilhosa harmonia que existe entre todos os opostos.
Conheço os sintomas de minha depressão: Penso nas coisas desagradáveis que estão correndo à minha volta; Penso nos aborrecimentos que estas coisas estão me trazendo; Penso em como estou impotente para mudar o curso dos acontecimentos;  Penso que eu sou mesmo um pobre coitado, vitima das circunstâncias...
Penso. É o bastante.
Gostar de mim é ser capaz de me sentir antes de me pensar.
Gostar de mim é mergulhar na dor que me chega ao invés de evita-la a todo custo.
Amar a mim mesmo é algo muito diferente de ser egoísta.
Só alguém que não se ama, alguém que despreza o tesouro que possui no seu interior, é capaz de tornar-se egoísta.
Buscando possuir sempre mais, julgando-se o maior e o melhor em tudo, tentando ser o centro de todas as atenções, o egoísta, no fundo, deseja apenas ser reconhecido por todos como a pessoa mais importante do mundo.
Alguém só se torna egoísta quando não se sente importante para si mesmo, quando não consegue se amar.
Quando eu sou a pessoa mais importante do mundo para mim mesmo, entre o eu e eu, acontece o verdadeiro amor, o amor que tanto me falta quando eu me rejeito e me desprezo em nome de ser a pessoa  mais importante do mundo para os outros.
O que sinto, o que faço, de onde vim, para onde vou, é no outro que eu traço o perfil do que eu sou.
O que vejo no outro é a minha própria imagem refletida.
(É inútil eu querer me enganar: só vejo uma espinha no espelho se no meu rosto tiver mesmo uma espinha...)
Quando eu compreender o que se passa comigo, posso compreender o que se passa com o outro.
O outro deixa de ser um enigma, quando eu compreendo o enigma que eu sou.
Eu me relaciono com as outras pessoas do mesmo modo como eu me relaciono comigo.
Se  eu me amo, não sei te odiar. Se eu me odeio, não sei te amar. Se eu me desprezo, não sei te respeitar. Se eu me respeito, não sei te desprezar. Como eu te aceito, se eu me rejeito? Como eu te rejeitar, se eu me aceito? Celebro o amor a mim mesmo o nascimento do amor pelo meu próximo.
Observo o meu ritmo a maneira pela qual eu existo e funciono como pessoa. Sou um processo em permanente transformação.
(Todas as vezes que eu saio do meu ritmo eu danço...)
Trata-se da minha vida, da única coisa que eu sou e possuo neste mundo.
Posso fazer dela o que eu quiser: viver do meu modo, segundo o meu ritmo, correndo o risco de desagradar umas tantas pessoas, ou submeter-me à vontade dos outros correndo risco de sentir-me traído e abandonado em relação a mim mesmo.
Posso me decidir por mim ou me decidir pelos outros.
Mas qualquer que seja  a minha escolha terei de carregar sozinho o peso da minha decisão. Para lhe dizer eu te amo, devo aprender a me dizer eu me amo. Do contrário meu amor por você é apenas uma desculpa um artifício para conservá-lo na minha coleção particular de objetos úteis.
Antes de você, existe EU, sem que isso signifique presunção da minha parte ou menosprezo pelas sua pessoa. E embora eu me sinta muito feliz com sua presença, antes de estar com você, estou COMIGO, não lá, num lugar imaginário de encontro, mas AQUI AGORA.
Geraldo Eustáquio de Souza


 Trecho da musica “Nosso tempo” (Composição de Luís Dias)
“...a vida nos mostra, o caminho a seguir, o coração não mente é só ouvir,
eu rezo e peço, a proteção, e a melhor decisão, mas o difícil e entender que o tempo é a inspiração, nas entrelinhas do sentimento encontramos a direção
Porque hoje sou feliz, a consciência é que me diz
tudo esta certo, meu coração, é a certeza de ser merecedor...”
  
ESTAR BEM CONSIGO MESMO (Cherry Hartman)
1.Confia em ti mesmo. Tu sabes o que queres e aquilo de que precisas.

2. Põe-te a ti mesmo em primeiro lugar. Não podes ser ninguém para os outros se não fores capaz de cuidar de ti mesmo.

3. Deixa que os outros conheçam os teus sentimentos; eles são como a seiva que alimenta a árvore.

4. Exprime as tuas opiniões. É bom ouvires-te a falar a ti mesmo.

5. Valoriza o teu pensamento, pois ele é bom.

6. Reserva para ti o tempo e o espaço de que precisas, sobretudo se os outros querem sempre mais e mais de ti

7. Quando precisares de alguma coisa, nunca penses que a não mereces. Mesmo que a não possas ter, não é mal nenhum precisares dela.

8. Quando tiveres algum receio, comunica-o a alguém. O isolamento em si mesmo alimenta o medo e piora ainda mais as coisas.

9. Quando te apetecer fugir, não procures evitar o medo. Pensa que aquilo de que tens medo acontecerá mesmo, e decide o que hás-de fazer.

10. Se estiveres zangado, não abafes esse sentimento. Experimenta tomar uma atitude. O que quer que faças é sempre melhor que amordaçar o coração.

11. Quando estiveres triste, pensa em algo que seja animador.

12. Quando alguém te ofender, di-lo a quem te ofendeu. Conservar esse sentimento só faz com que ele cresça ainda mais.

13. Quando vires que alguém está mal humorado, respira. Não te deixes assaltar pelas agressões dos outros.

14. Quando tiveres algo para fazer e não o quiseres fazer, resolve o que realmente tem que ser feito e o que pode esperar.

15. Quando desejares alguma coisa de alguém, pede-a. Não há problema se ele disser que não. Perguntar significa ser verdadeiro contigo mesmo.

16. Quando precisares de ajuda, pede-a. Mas prepara-te para que as pessoas digam que não, se não quiserem ajudar.

17. Quando as pessoas te desiludem, geralmente o problema é delas e não teu. Pede a outros que te ajudem e não desanimes.

18. Quando te sentires só, acredita que há sempre alguém em algum lugar, pronto a fazer-te companhia. E imagina como seria bom se isso acontecesse. Decide e põe pés ao caminho.

19. Quando estiveres ansioso, toma consciência do futuro horrível que estás a construir e, mal possas regressa ao presente.

20. Quando desejares dizer algo agradável a alguém, não hesites. Expressa os teus sentimentos... afinal, isso não custa nada.

21. Se alguém gritar contigo, resiste fisicamente descansando na tua cadeira ou fixando firmemente os pés em terra. Respira fundo. E pensa na mensagem que ele te quer comunicar.

22. Quando estiveres a atormentar-te a ti mesmo, pára. Só deves fazer isso quando precisares de alguma coisa. Descobre o que precisas e então conquista-o.

23. Quando tudo te parecer errado, quando te sentires deprimido e precisares de algum ânimo, pede-o. E, só depois, pensa no que hás-de fazer.

24. Quando quiseres falar com alguém que não conheces e tens medo, respira fundo. Não penses muito e vai em frente. Se não fores bem sucedido, podes sempre parar.

25. Se estiveres a fazer alguma coisa de que não gostas (como, por exemplo, beber em demasia, fumar ou reagir mal por tudo e por nada), para e pensa no que realmente queres. Se não fores capaz de progredir sozinho, fala abertamente com alguém sobre o assunto.

26. Quando não consegues raciocinar com lógica, para de pensar; procura apenas sentir o pulsar de cada parcela do teu corpo.

27. Quando precisares de amor, vai à procura dele. Há sempre alguém disposto a amar-te.

28. Quando estás confuso, geralmente é porque a tua mente te aconselha a fazer uma coisa e a tua vontade quer fazer outra. Dialoga contigo mesmo ou então escreve, ou faz as duas coisas com um amigo.

29. Quando te sentires pressionado, abranda o passo. De forma consciente, reduz a respiração, a fala e os movimentos.

30. Quando a razão for de lágrimas, chora!

31. Quando te apetecer chorar e o local não forem apropriado, aceita a dor e promete que, mais tarde, hás de chorar a vontade. E, cumpre a promessa.

32. Quando alguém te fizer mal, zanga-te com ele a valer.

33. Quando tudo parecer cinzento, vai à procura da cor.

34. Quando te sentires como uma criança, cuida bem da criança que há dentro de ti.

35. Quando alguém te oferecer uma prenda, diz: “obrigado”. É tudo o que tens que fazer. Dar uma prenda não é nenhum dever.

36. Quando alguém te ama, aceita o fato e alegra-te. O amor não é uma obrigação. Não tens que fazer nada em troca.

37. Se te parecer que alguma destas normas não serve para ti, fala disso com alguém. E, depois, torna a escrevê-la de maneira que se adapte a ti. Reconstruindo o mundo


Reflexão
O pai estava tentando ler o jornal, mas o filho pequeno não parava de perturbá-lo. Já cansado com aquilo, arrancou uma folha - que mostrava o mapa do mundo - cortou-a em vários pedaços, e entregou-a ao filho.

“Pronto, aí tem algo para você fazer. Eu acabo de lhe dar um mapa do mundo, e quero ver se você consegue montá-lo exatamente como é”.

Voltou a ler seu jornal, sabendo que aquilo ia manter o menino ocupado pelo resto do dia.

Quinze minutos depois, porém, o garoto voltou com o mapa.

“Sua mãe andou lhe ensinando geografia?”, perguntou o pai, aturdido.

“Nem sei o que é isso”, respondeu o menino. “Acontece que, do outro lado da folha, estava o retrato de um homem. E, uma vez que eu consegui reconstruir o homem, eu também reconstruí o mundo”.


sexta-feira, 27 de julho de 2012

O Pai Nosso dito por Deus



Já pensou como Deus diria o “PAI NOSSO”? 
ou melhor o “FILHO MEU”

Filho meu, que estais na terra e se sente preocupado, confuso, desorientado, só, triste e angustiado.
Eu conheço perfeitamente o teu nome e o pronuncio bendizendo-o, porque te amo, e te aceito assim  como és. 

Juntos construiremos o meu Reino, do qual tus é meu herdeiro e não estarás sozinho, pois Eu estou em ti,  assim como tu estás em Mim.
 Desejo que tu faças sempre a Minha vontade, porque a Minha vontade é que tu sejas humanamente feliz.

Terás o pão de cada dia…
Não te preocupes. Entretanto, lembra-te, não é somente teu,


peço-te que divida-o sempre com o teu próximo, é por isso que o dou a ti, pois sei que tu sabes que é para ti e para todos os teus irmãos… 

Perdoo sempre as tuas ofensas, aliás te absolvo antes mesmo que as cometa, sei que as cometerás, mas também sei que as vezes é o único modo que tens para aprender, crescer e aproximar-te de Mim, é a tua vocação... 

Te peço somente, que da mesma forma, perdoes a ti mesmo e perdoes aqueles que
te ferem… 

Sei que terás tentações e estou certo  que as superarás… 
Segures a minha mão,
 agarra-te sempre em Mim,
e Eu te darei o discernimento a força para que te livres do mal…

 Nunca te esqueças que TE AMO antes mesmo que tu nascesses, e que te amarei além  do fim dos teus dias,  

PORQUE ESTOU EM TI… ASSIM COM TU ESTÁS  EM MIM… 
Que a Minha benção desça e permaneça sobre ti para sempre e que a Minha paz
e o amor eterno te acompanhem pela eternidade… 

Somente por Mim poderás alcançá-la
e somente Eu posso dá-la a ti, porque…
EU SOU O AMOR E A PAZ!    

AMÉM

sábado, 23 de junho de 2012

Arraial da Casa do Sol


Nosso Arraial acontecerá no dia 30 de junho às 15 horas na Casa do Sol Centro Espírita! Estaremos comemorando também os três anos de fundação da nossa Casa, localizada na Visconde do Herval, 979. Para comemorar, teremos música ao vivo, comes, bebes, brincadeiras e muita alegria por estarmos juntos mais uma vez! Contamos com a sua participação!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Palestra: Solidão



Palestra apresenta em 30/04/2012 por Beatriz Hirt
Ciclo de palestras sobre os livros “As Dores da Alma” e "Os prazeres da alma", de Hammed
           
            Solidão não é o mesmo que estar desacompanhado. Podemos estar sós no meio da multidão. Muitas pessoas passam por momentos em que se encontram sozinhas, seja por força das circunstâncias ou por escolha própria. Estar sozinho pode ser uma experiência positiva, prazerosa e trazer alívio emocional, desde que esteja sob controle do indivíduo. Quando ultrapassa o limite do saudável passa a ser um sofrimento e até um sintoma de uma patologia mais séria.
             Para fazer uma analogia, a solidão é para alma o que a dieta é para o corpo: necessária, mas se passar do ponto, pode ser fatal. Não devemos ser “obeso mórbido de agitação”, nem  “anorexo afetivo”.  O alimento da alma são as emoções.
             Pode ser descrita como a falta de identificação, compreensão ou compaixão. É a caracterizada pela carência de comunicação. Não a comunicação superficial, dos gestos ensaiados e das palavras ditadas pelas convenções, mas a real, a verdadeira, a genuína: a dos nossos sentimentos mais profundos. Nos faltam palavras e símbolos. Temos só uma vaga e truncada intuição acerca da natureza e extensão daquilo que nos aflige. Como queremos que os outros compreendam um sentimento que temos, de fato, mas que não entendemos o que é e nem sabemos definir como se manifesta?            Em seu crescimento como indivíduo, o ser humano começa um processo de separação ainda no nascimento, a partir do qual continua a ter uma independência crescente até a idade adulta. Desta forma, sentir-se sozinho pode ser uma emoção saudável e, de fato, a escolha de ficar sozinho pode ser uma experiência enriquecedora.
            Para sofrer com a solidão, entretanto, o indivíduo passa por um estado de profunda separação. Isto pode se manifestar em sentimentos de abandono, rejeição, depressão, insegurança, ansiedade, falta de esperança, inutilidade, insignificância e ressentimento (esses são os anorexos afetivos). Se tais sentimentos são prolongados eles podem se tornar debilitantes e bloquear a capacidade do indivíduo de ter um estilo de vida e relacionamentos saudáveis. Se o indivíduo está convencido de que não pode ser amado, isto vai aumentar a experiência de sofrimento e o consequente distanciamento do contato social. A baixa auto-estima pode dar início à desconexão social que pode levar à solidão.
           Sofremos de solidão toda vez que desprezamos as inerentes vocações e naturais tendências de nossa alma. Assim que nos distanciamos do que realmente somos, criamos um autodesprezo, passando, a partir daí, a desenvolver um sentimento de isolamento, mesmo rodeados de pessoas.
          Na autorejeição, esquecemos de perceber a presença de Deus vibrando em nossa alma; logo, anulamos nossa força interior. É como se esquecêssemos a consciência de nós mesmos.
          Uma vez que não identificamos nossa essência, criamos um eu idealizado, de acordo com o que a gente pensa ser bom e adequado.
           Quase todos nós crescemos querendo ser adequados para o mundo, porque acreditamos que não somos suficientemente bons para ser amados pelo que somos. Por isso, procuramos, desesperadamente, igualar-nos a uma imagem que criamos de como deveríamos ser. Ex: jovem que procura sua tribo: patricinha, emo, punk, gótico. Usam roupa igual, cabelo igual, vocabulário igual.
            O ser idealizado é uma fantasia mental. É uma imitação inflexível, construída artificialmente sobre uma combinação de dois básicos comportamentos neuróticos:
a)adotar padrões existenciais super-rígidos, impossíveis de serem atingidos
b) alimentar o orgulho de acreditar-se onipotente, superior e invulnerável. A coexistência desses dois modos de pensar ocasiona frequentes estados de solidão, tristeza habitual e sentimentos mútuos de vazio e aborrecimento na vida afetiva de um casal.
           Para que nossa essência aflore, é preciso abandonar nossa compulsão de fazer-nos seres idealizados, nossa expectativa fantasiosa de perfeição e nosso modelo social de felicidade. Somente assim, exterminamos o clima de pressão, de abandono, de tensão e de solidão que sentimos interiormente, para transportarmo-nos para uma existência de satisfação íntima e para uma indescritível sensação de vitalidade.
          A renúncia de nosso eu idealizado nos dará uma sensação de renascimento e uma atmosfera de liberdade como nunca antes havíamos sentido.
           O amor e o respeito a nós mesmos cria uma atmosfera propícia para identificarmos nossa verdadeira natureza, isto é, nossa identidade de alma, facilitando nosso crescimento espiritual e, porconseguinte, proporcionando-nos alegria de viver.         
           Casais
           O esforço metódico para sustentar essa versão idealizada é responsável por grande parte dos nossos problemas de relacionamento conosco e com os outros. Entre todos os problemas de convivência, o de casais, talvez, seja um dos mais comuns entre as pessoas.
          Todos nós queremos companhia e afeto, mas para desfrutarmos uma união amorosa, madura e equilibrada é preciso, acima de qualquer coisa, respeitar o direito que cada criatura tem de ser ela mesma, sem mudar suas predileções, ideias e ideais. Os traços de personalidade não são futilidades, teimosia ou manias. Cada parceiro tem seus “direitos individuais” de manter sua parcela de privacidade e preferências. Para tanto, o diálogo compreensivo, a renúncia aos próprios caprichos, o compromisso de lealdade são fatores imprescindíveis na vida a dois, que não pode permitir a confusão de “direitos individuais” com direitos individualistas, com vulgaridade, com cobrança e com leviandade.
          Aquele ser idealizado de nós mesmos, agora idealiza o seu parceiro.
          A complexidade maior das dificuldades nos matrimônios talvez seja a não-valorização dos verdadeiros sentimentos, que força um dos parceiros, ou mesmo ambos, a as contrariar sua natureza para satisfazer opressões, intolerâncias e imposições do outro. Ninguém pode ser feliz assim, subordinando-se ao que o cônjuge quer ou decide.
          Questão 697 de "O livro dos espíritos":
          Está na lei da Natureza, ou somente na lei humana, a indissolubilidade absoluta do casamento?
         “É uma lei humana muito contrária à da Natureza. Mas os homens podem modificar suas leis; só as da Natureza são imutáveis.”
          Declarar de modo geral que o divórcio é sempre errado é tão incorreto quanto assegurar que está sempre certo. Em algumas circunstâncias, a separação é um subterfúgio para uma saída fácil ou um pretexto com que alguém procura esquivar-se das responsabilidades, unicamente.
           Há uniões em que o divórcio é compreensível e razoável, porque a decisão de casar foi tomada sem maturidade, porque são diversos os equívocos e desencontros humanos. Em outros casos, há anos de atitudes de desrespeito e maus-tratos, há os que impedem o desenvolvimento do outro. São variadas as necessidades da alma humana e, muitas vezes, é melhor que os parceiros se decidam pela separação a permanecerem juntos, fazendo da união conjugal uma hipocrisia. Em todas as atitudes e acontecimentos da vida, somente a própria consciência do indivíduo pode fazer o autojulgamento e decidir sobre suas carências e dificuldades da vida a dois. Todos os livros sacros da humanidade têm como máxima ou mandamento o amor. A base de todo compromisso é o amor. O amor enriquece mutuamente as pessoas e é responsável pela riqueza do seu mundo interior. A estrutura do verdadeiro ensino religioso nos deve unir amorosamente uns aos outros e não nos manter unidos pela intimidação, pelo medo do futuro ou pelas convenções sociais.
          O ensino espírita, propagado pelo “O Livro dos Espíritos”, nos faz redescobrir o sentimento de religiosidade inato em cada criatura de Deus.
         O sentido da religião deve consistir na busca da liberdade, no culto da verdade e na clara distinção entre o passageiro e o permanente. Estar com alguém por temor religioso é diferente de estar com alguém por amor. Somente o amor tem significado perante a Divina Providência.
           Lembremo-nos de que a solidão aparece, quando negamos nossos sentimentos e ignoramos nossas experiências interiores. Essa forma comportamental tende a fazer-nos ver as coisas do jeito como queremos ver, ou seja, como nos é conveniente, em vez de vê-las como realmente são. Assim é que distorcemos nossa realidade. Não rejeitemos o que de fato sentimos. Isso não quer dizer viver com liberdade indiscriminada e sem controle, mas sim reconhecer o devido lugar que corresponda aos nossos sentimentos, sem ignorá-los, nem tampouco deixá-los serem donos de nossa vida. Se devemos permanecer ou não ao lado de alguém, é decisão que se deve tomar com espontaneidade, harmonia e liberdade, sem mesclas de medo ou imposições.
          * Almas gêmeas
          As questões 298 e 299 de "O livro dos espíritos" deixam bem claro que almas gêmeas ou metades eternas não existem, porque a evolução é individual. O que existe são espíritos afins e a afinidade pode esfriar por alguns séculos, se um dos espíritos ficar estacionário. Não adianta procurar aoutra metade da maça, porque ela não existe. Não existem meias pessoas.
          Causas comuns - patologia
         As pessoas podem sentir solidão por muitas razões e muitos eventos da vida estão associados a ela. A falta de amizades durante a infância e adolescência ou a falta de pessoas interessantes podem desencadear não só a solidão, mas também a depressão e o celibato involuntário (a pessoa até quer um companheiro, mas como não se relaciona com ninguém, o companheiro não aparece. Ninguém aparece). Ao mesmo tempo, a solidão pode ser um sintoma de um outro problema social ou psicológico, que deveria ser tratado.
        Pode ser um período após uma separação, como o fim de um casamento, a perda de um ente querido, a saída dos filhos de casa. Nesses casos, a solidão pode ocorrer tanto por causa da perda do outro indivíduo quanto pelo afastamento do círculo social do qual ambos faziam parte, causado pela tristeza associada ao evento.
         Ex: Um texto na internet sobre solidão cheio de comentários suicidas, de desejo de morte. Isso precisa ser tratado.
           Tratamento
           Existem muitas formas diferentes para tratar a solidão, o isolamento social e a depressão. O primeiro passo, e o mais frequentemente recomendado, é a terapia. Alguns recomendam terapia em grupo ou antidepressivos.
           Abordagens alternativas ou complementares com exercícios físicos, dieta, hipnose, homeopatia, acupuntura, fitoterapia, entre outros, também apresentam bons resultados.
           Um outro tratamento, tanto para depressão quanto para a solidão, é a terapia de animais de estimação. Além de atenuar a sensação de solidão (mesmo porque isto pode também levar à socialização com outros donos de animais semelhantes), ter um animal de estimação diminui a ansiedade e, consequentemente, os níveis de stress no organismo. Promove a troca de afeto, propicia compromisso com o outro ser.
         Um trabalho voluntário, um grupo de dança ou de literatura...
        Esses são alguns meios para auxiliar o solitário a se reconectar com a sociedade. O principal é a decisão íntima de se expor, se dar a conhecer e se interessar pelos outros. E pra nós, o melhor fortificante é a oração. Pedir a força necessária para quebrar as barreiras internas. Podemos ter a certeza que é isso que nosso Pai amoroso deseja para nós.
      Algumas questões do Livro dos Espíritos, cap. 7 Lei da Sociedade:
      - Vida social é uma obrigação natural?
        Sim, Deus fez o homem para viver em sociedade. “Sozinho, nem minhoca”.
       - O isolamento absoluto é contrário à lei natural?
       Sim, todos devem concorrer para o progresso mútuo.
      - O isolamento absoluto é condenável, mesmo que o homem encontre nele sua satisfação?
          Satisfação de egoísta. Deus não pode ter por agradável uma vida em que o homem se condena a não ser útil a ninguém.
         - E os que vivem em reclusão absoluta para fugir do contato nocivo do mundo? Ex: Num monastério, rezando pela humanidade.
          Duplo egoísmo.
         - E os que se isolam do mundo para se devotar ao alívio dos sofredores? Ex: Irmãs que cuidam dos doentes ou órfãos.
          Duplo mérito. Renunciam aos prazeres materiais e fazem o bem cumprindo a lei do trabalho.
         - E os que procuram um retiro de tranqüilidade para a execução de algum trabalho?
          Eles não se isolam da sociedade uma vez que trabalham para ela.
          Ex: atelier do artista, o laboratório de pesquisa, estação espacial.
         *Nenhum homem possui todos os conhecimentos e todas as capacidades. Pelas relações sociais é que se complementam uns aos outros para assegurar seu bem-estar e progredir: é por isso que somos feitos para viver em sociedade e não isolados.
         Lado positivo:
         Nem sempre a solidão pode ser encarada como dor ou doença. É, em muitas ocasiões, períodos de preparação, tempos de crescimento, convites da vida ao amadurecimento.
           É justamente nas “épocas de solidão” que conseguimos a motivação necessária para estabelecer a verdade sobre esse fato.
           Na solidão, é que encontramos sanidade para nosso mundo interior, respostas seguras para nossos caminhos incertos e nutrição vitalizante para os labores que enfrentamos em nossa viagem terrena. Não me refiro à “tristeza de estar só”, mas sim, necessariamente, à “quietude íntima”, tão importante e saudável para que façamos um trabalho de autoconsciência, valorizando as nuances de nossa vida interior.
           Muitos indivíduos vivem dentro de um ciclo diário estafante. Realizam suas atividades num ambiente de competitividade, agitação, pressa e rivalidade, vivendo em constante tensão psicológica e, por consequência, alterando suas funções fisiológicas. Por viverem num estado de cansaço e desgaste contínuos, não conseguem fazer uma real interação entre o meio ambiente e seu mundo interno, o que ocasiona sérios problemas de convivência e inúmeros conflitos pessoais. 
          Nem sempre é possível abandonarmos a vida alvoroçada, os ruídos e as músicas estridentes, talvez seja até mesmo inviável; mas é perfeitamente realizável dedicarmos algum tempo à solidão, retirando-nos para momentos de reflexão. Nos instantes de silêncio, exercitamos o aprendizado que nos levará a abrir um canal receptivo à Consciência Divina. É nesse momento que ficamos cientes de que realmente não estamos sozinhos e que podemos entrar em contato com a voz da consciência. 
          A voz de Deus, por assim dizer, começará a “falar em nós”. Ex: meditação
          Muita gente cria uma mente agitada por temer não haver nada dentro delas que lhes dê proteção, apoio e segurança. Como se fossem uma casca que precisa exclusivamente de sustentação exterior; por isso, continuam ocupando a casa mental ansiosamente, obstruindo seu acesso à luz espiritual. Esses são os “obesos mórbidos de agitação”.
           A mente pode ser uma ajuda efetiva, ou mesmo um obstáculo ferrenho na escolha da melhor direção para atingimos o amadurecimento íntimo. A crença em nossa limitação é que faz com que restrinjamos nossa mente. Isso se agrava quando envolvemo-la no burburinho de vozes, no tumulto e na agitação do cotidiano, passando assim a não avaliarmos corretamente seu verdadeiro potencial.
          São muitos os caminhos de Deus, e a solidão pode ser um deles.
          Jesus, constantemente, se retirava para a intimidade que o silêncio proporciona, pois entendia que a elevação de alma somente é possível na “privacidade da solidão”. O Cristo Amoroso sabia que, quando houvesse silêncio no coração e no intelecto, se estabeleceriam as bases seguras da relação entre a criatura e o Criador, proporcionando a percepção de que somos unos com a Vida e unos com todos os seres. Parece contraditório, mas não o é: ficar sozinho para perceber a consciência cósmica em nós.
          A Espiritualidade Maior entende que, nos retiros de tranquilidade, criamos uma sustentação interior, que nos permite sintonizar com as leis divinas e com os valores reais da consciência cristã.
         Ouçamos com os ouvidos internos, pois ninguém pode assimilar bem uma experiência que não provenha de sua própria orientação interior.
         Ninguém é capaz de seguir sua verdadeira estrada existencial, se não refletir sobre sua essência. Não encontraremos o caminho de que verdadeiramente necessitamos, se nós mesmos não o buscarmos, usando nossos inerentes recursos da alma para perceber as inarticuladas orientações divinas em nós. Somente cada um pode interpretar as razões da Vida em si mesmo.
         Adotemos o aprendizado com o Senhor Jesus, exemplificado no Horto das Oliveiras: retiremo-nos para um lugar à parte e cultivemos os interesses de nossa alma.
         Se não encontrarmos um recanto externo que facilite a meditação, nem alguma paisagem mais afastada junto à Natureza, onde possamos repousar da inquietação da multidão, mesmo assim poderemos penetrar o nosso santuário íntimo. Sigamos o Mestre, recolhendo-nos na solidão e no silêncio do templo da alma, onde exclusivamente encontraremos as reais concepções do amor e da justiça, da felicidade e da paz, a que todos temos direito por Paternidade Divina.